terça-feira, 18 de setembro de 2012

ARCOS/MG - Dados da Polícia Civil revelam que criminalidade em Arcos aumentou em 2012

Fotos: Cristiana Teixeira



A Polícia Civil em Arcos forneceu ao jornal CCO dados referentes à criminalidade na cidade. O levantamento aponta que o índice de criminalidade na cidade aumentou em 2012. O período avaliado é de fevereiro aos primeiros dias do mês de setembro de 2011 e de janeiro aos primeiros dias do mês de setembro de 2012.

Segundo a estatística retirada via PCNET da Polícia Civil, até a última semana foram registradas cerca de 3.800 ocorrências na delegacia de polícia de Arcos, sendo encaminhadas pela Polícia Militar, Polícia Rodoviária, Ambiental e também as que originaram na própria unidade. Desse total, 483 ocorrências são referentes a crimes contra o patrimônio, sendo roubo, furto, estelionato e outras contra o patrimônio. Foram registradas 8 ocorrências de roubo, 315 de furtos, 38 de estelionato e 122 foram classificadas como outras contra o patrimônio. De acordo com os dados, das 315 ocorrências de furto 27 de furto de veículos foram registradas. O delegado Irineu Coelho disse que em cerca de 20% a 25% delas os veículos foram encontrados em algum ponto da região e recuperados, com posterior devolução às vítimas.

De fevereiro de 2011 - mês em que o PCNET entrou em vigor na Polícia Civil de Arcos - até os primeiros dias do mês de setembro de 2011 os números de ocorrências registradas foram menores. Foram 5 registros de roubos, 221 de furtos, 19 de furto de veículos, 27 de estelionato e 45 foram classificados como outros contra o patrimônio.

Os registros de furtos de veículos chamam a atenção devido à localidade onde o crime tem ocorrido, em sua maioria na região central da cidade, e à marca dos carros furtados. Em sua maioria são levados veículos Uno e Gol, de vários modelos e anos de fabricação. De acordo com os dados, as duas últimas ocorrências registradas dão parte do furto de um Uno, ano 2001, e de outro Uno, ano 1990. Uma delas foi registrada no dia 1° deste mês, por volta das 5h30 no bairro Brasília, e a outra foi registrada por volta das 7h55 do dia 2 de setembro, na praça Floriano Peixoto, centro de Arcos. De janeiro até o dia 2 de setembro foram furtados 8 veículos modelo Uno e do modelo Gol.

“Não tem sensação igual. A gente fica sem saber o que pensar[...]”
Com estas palavras o aposentado Celso Teixeira Borges descreveu o que sentiu quando no dia 3 de julho não encontrou seu carro, um Gol G4 - 2008, que estava estacionado próximo ao portão do cemitério paroquial, centro de Arcos. O aposentado desenvolveu problemas de saúde devido ao fato. “É terrível, porque o carro estava uns 10 metros abaixo do portão do cemitério, no centro da cidade, em frente à quadra do Berenice. Não tem sensação igual. A gente fica sem saber o que pensar, sem chão. A sensação é horrorosa. Fiquei com esse choque mais ou menos uns 15 a 20 dias. Desenvolvi até mesmo problema de saúde. Não tinha expediente pra nada”, contou.

O carro era segurado e para resguardar seus direitos Celso Teixeira registrou boletim de ocorrência junto a Polícia Militar. Ele contou que até o momento não teve notícias do paradeiro do veículo. Baseado no furto do veículo dele, Celso Teixeira acredita que a criminalidade na cidade está aumentando. “Pra mim a criminalidade está só aumentando. A gente vê falar nas propagandas políticas que melhorou a segurança. Melhorou como? Melhorou foi nada. As pessoas de bem continuam presas, à mercê dos vândalos”, frisou. Ele também ressaltou a falta de estrutura e de pessoal da Polícia Civil. “A respeito da Polícia Civil para eles conseguirem atualizar o boletim demoram dois dias porque não tem funcionários, não tem equipamentos nem estrutura. Eles têm muita vontade em resolver, mas não têm suporte”, ressaltou.

Cristiane Pires de Sousa é auxiliar administrativo. Ela, o marido e a filha foram vítimas de roubo na noite do dia 7 de setembro. Cristiane Pires contou que dois homens encapuzados e armados entraram em sua casa, renderam os três, amarraram ela e o marido e após vasculharem toda a casa levaram celular, notebook, joias, dinheiro e a moto da família. De acordo com ela, os homens pularam o muro e entraram em sua casa por uma janela que estava aberta e eles permaneceram dentro da casa por cerca de 15 minutos.



Fotos: Cristiana Teixeira

Ela relata que a sensação é inexplicável e aproveitou para elogiar o trabalho da Polícia que já encontrou a moto roubada. “É uma sensação de incapacidade mesmo. A moto foi encontrada no sábado, em Formiga, perto da casa de um suspeito. A Polícia Civil foi lá em casa fazer a perícia. Depois do que aconteceu comigo eu parabenizo a polícia. Eles estão dando apoio, estão empenhados em prender os suspeitos. Hoje minha casa está mais vigiada do que qualquer lugar. As investigações estão caminhando bem. Eu elogio o trabalho que eles estão realizando”, concluiu.

Polícia Civil carece de recursos

Questionado pelo jornal CCO a respeito de quais as providências a Polícia Civil está tomando para colaborar com a diminuição dos crimes em Arcos, Dr. Irineu Coelho disse que mesmo estando trabalhando com redução no quadro de funcionários a delegacia está conseguindo atingir as metas de trabalho, e em alguns casos está excedendo. “Não é novidade para ninguém que aqui na delegacia nós não dispomos de pessoal e estrutura suficientes para oferecermos à população o trabalho com a excelência que ela merece e tem por direito. Ainda assim, com todos as dificuldades, nós estamos conseguindo atingir nossas metas de trabalho. A média da Polícia Civil é de concluir 23 Inquéritos Policiais por mês e enviá-los à Justiça. Até o momento já foram enviados 170 e até o final deste ano é possível que este número chegue a 300. No ano passado enviamos uma média de 230 Inquéritos Policiais à Justiça”, ressaltou.

Dr. Irineu Coelho, que responde também pelo município de Pains, enfatizou que a média de Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO) enviada à Justiça já ultrapassou a meta. “A meta é concluirmos 23 TCO’s por mês, ou seja, 276 ao ano., Durante todo o ano de 2011 encaminhamos 327 à Justiça, 51 TCO’s a mais que nossa meta. De janeiro até o momento já foram concluídos e encaminhados à Justiça 289 TCO’s e até o fim do ano devemos dobrar esse número”, declarou.

O delegado finalizou afirmando que os índices em Arcos ainda são altos, mas que a Polícia Civil está realizando os trabalhos necessários para coibir e reprimir as práticas delituosas. “Desde que assumimos a Delegacia de Polícia de Arcos estamos implementando mudanças e atuando com firmeza e dedicação no exercício de nossas atribuições. Não estamos satisfeitos com essa situação. Queremos e estamos lutando por um resultado melhor. Já oficiamos à nossa chefia alertando sobre a questão e estamos aguardando a nomeação de mais servidores bem como a alocação de novas viaturas. Sabemos que a sociedade precisa de nós, e mesmo com todas as dificuldades estamos nos dedicando para que a criminalidade seja controlada na comarca, a fim de garantirmos à população a segurança a que tem direito”, concluiu.

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