quinta-feira, 5 de julho de 2012

MG: MP quer afastar prefeito preso por subornar adversário

04 de julho de 2012  18h16  atualizado às 18h21

TIAGO DIAS
O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) investiga suspeita de corrupção eleitoral na cidade e Douradoquara, região do Alto Paranaíba, no Triângulo Mineiro, envolvendo o prefeito da cidade, Clésio Gomes Mendonça (DEM), o vice-prefeito Guaracy Gomes (PMDB) e o presidente da Câmara Municipal, Izauro Felisberto Júnior (PRB). Os três foram presos na noite de segunda-feira (2), após denúncia do até então pré-candidato à prefeitura, Walter Mundin Gomes (PRB), ao MP.
O promotor de Justiça de Monte Carmelo, Marcos Vinícius Ribeiro Cunha, já instaurou o procedimento de investigação e irá propor o afastamento imediato dos cargos públicos dos envolvidos até sexta-feira (6).
Vice-presidente do PRB no município, Walter Mundin afirma que foi vítima de suborno para fins eleitorais. Ele seria candidato pela coligação PRB, PT, PSB e PSDB, com chapa oficializada no sábado (30), mas o presidente de seu partido na cidade, Izauro Felisberto, propôs apoiar a reeleição de Clésio Gomes Mendonça (DEM), considerado oposição por Walter.
"A proposta de trocar de coligação aconteceu em uma reunião comigo, o presidente da Câmara Municipal e o prefeito, que me ofereceu cargos, empregos e dinheiro. Percebi que aquilo era corrupção, mas fingi aceitar a proposta", afirma. Walter diz que Clésio ofereceu "salário de secretário da Agricultura", mais "R$ 1.200 reais por mês". Segundo ele, Izauro ainda propôs selar o acordo e fraudar a ata da convenção na segunda - dois dias após a data limite para os partidos realizarem os eventos.
Walter procurou o Ministério Público e foi orientado a dar o flagrante nos três acusados com a ajuda da Polícia Civil. Propôs, então, que a reunião da "convenção" acontecesse em sua casa. "Eles foram presos na minha cozinha, enquanto o delegado e dois agentes da polícia ouviam de um quarto o combinado e a tentativa de suborno", afirma.
O procurador Marcos Vinícius afirma que o caso se enquadra no artigo 299 do código eleitoral, que configura como crime a compra de votos e suborno. Segundo ele, o PRB não deverá ter candidatura nas eleições de outubro. "Não houve convenção, não há ata, não há candidato", explica. O MP ainda investiga se houve falsificação de documentos na tentativa de lavrar a ata da convenção. O prefeito, o vice-prefeito e o presidente da Câmara Municipal pagaram a fiança de R$ 75 mil (no total) e foram liberados.
Walter está fora da cidade e afirma estar com receio do que pode acontecer após a denúncia. "Estou há três dias sem dormir. Vou esperar a poeira baixar e ver o que eu vou fazer", disse.
A única funcionária da prefeitura a falar com a reportagem afirmou não estar autorizada a divulgar notícias sobre o assunto. Procurados pelo Terra, o diretório municipal do DEM não foi localizado. Já o PRB-MG afirmou que o diretório não tem conhecimento sobre o assunto.

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